segunda-feira, 14 de março de 2011

Educação brasileira

                Salete Rozza Sabino*
Acompanhando os órgãos de imprensa vejo a sociedade e a própria imprensa nacional, estadual e regional manifestando os problemas da educação de nosso país. Fui professora de carreira (hoje uma espécie em extinção) de 1970 a 1995. Vinte e cinco anos dedicados a educação e senti na pele a decadência da área a cada dia. Planos de carreira, valorização do profissional da educação por intermédio de pagamento de salário compatível com a função foram se esvaziando e as verbas da educação destinadas para a merenda, kits de material escolar, mochilas, uniformes, transporte e as escolas... Caindo aos pedaços e qualquer um assumindo a educação de nossas crianças.
O professor de carreira sumiu. Neste início de 2011, de 16.000 professores ACTs (de caráter temporário) que existiam cadastrados no Estado catarinense, somente 6.000 compareceram para assumir suas vagas. Os demais precisaram exercer outras atividades com remuneração que lhes deem condições de ter uma vida digna na sociedade com sua família, pois é um profissional preparado para exercer múltiplas funções com excelência.
Sumiram os concursos públicos para a efetivação de professores e quando existem, chamam meia dúzia para efetivação e o restante contrata-se em caráter temporário, sem compromisso com a educação e sem plano de carreira. É o chamado “tapa buraco”. Os salários dos professores foram transformados em paternalismo e assistencialismo e as escolas fundamentais se transformaram em depósitos de crianças e adolescentes.
Como uma bola de neve, escolas particulares e universidades entraram na mesma linha de salário. Por outro lado, o mercado está cheio de vagas para profissionais com qualificação, mas infelizmente, estamos jogando no mercado profissionais mais perdidos que cego em tiroteio.  Ou seja, baixos níveis de educação refletem em baixos níveis de produtividade. Isso já é consenso.
Precisamos ter coragem de enfrentar esta situação e exigir compromisso com a educação de qualidade em todos os níveis e a valorização do profissional da educação. Ou o Brasil vai despencar cada vez mais no ranking da educação e pagaremos muito caro por isso, num futuro bem próximo.

* Professora normalista aposentada, empresária na área de comunicação.

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